A Chave do Mestre

publicado em 28 novembro de 2016 • Bernardo Cruz

Quando ouvimos falar em caridade, certamente passa em nossas cabeças infinidade de palestras assistidas, ou inúmeras vezes que passamos por esse mesmo tema em nossos cultos e estudos. Fonte inesgotável, palavra que fala por si, e ainda sim distantes estamos de compreendê-la em sua essência.

Em suas inúmeras formas de praticá-la, nos prendemos facilmente ainda na caridade material. Aquela tradicional arrumação do guarda-roupa no fim de ano a triagem do que ainda nos serve, ou o que podemos passar adiante; em oferecer o pão pra quem tem fome, ou dar de beber a quem tem sede; nas campanhas da nossa Obra Social Antônio de Aquino; sim isso é Caridade! Mas qual o sentimento que conduz nossos pensamentos na prática dessa virtude santa?

Pensemos em um exemplo simples: Uma visita de última hora em nossa casa, daquela tia que tem muito a dizer. Como bom anfitrião preparamos um café, mas na verdade mesmo o que queríamos era voltar aos nossos afazeres com todas as naturais preocupações mais a não vontade de estarmos ali para escutar o que a visita tem pra contar. Com todas essas distrações em nossa cabeça colocamos colheradas a mais do pó na cafeteira, tomado da pressa pensamos: Para quem é está bom!

Será que está bom mesmo?

Além de bem forte um novo amargor é acrescido nesse café, que quem for beber perceberá que tem algo a mais do que algumas colheradas generosas de pó.

Assim também acontecem muitas vezes quem recebe nossas esmolas, nossos supérfluos dados de qualquer maneira carregados de má vontades e da obrigação. Quando os bolsos estão vazios, nosso coração pode ter algo a oferecer, nesses momentos lembramos do mestre Jesus trazidas pelo seus Evangelistas em uma das Obras de mais importância da Doutrina Espírita O Evangelho Segundo o Espiritismo. Nesta obra encontramos o manual prático Caridade em Óbulo da Viúva (E.S.E – Cap XIII – Itens 5 e 6), que não se intimidou com a grande quantidade de moedas que os ricos colocavam no gazofilácio e ali ela deixou sua contribuição, tirando do que tinha para seu sustendo para dar para os que nada tinham.

“E tendo chegado uma pobre viúva, lançou duas pequenas moedas, que importavam um real. E convocando seus discípulos, lhes disse: Na verdade vos digo, que mais deitou esta pobre viúva do que todos os outros que deitaram no gazofilácio. Porque todos os outros deitaram do que tinham na sua abundância; porém esta deitou da sua mesma indulgência tudo o que tinha, e tudo o que lhe restava para seu sustento. (Marcos, XII: 41-44 – Lucas, XXI: 1-4).

Diante desta passagem que Jesus nos deixou, vemos o quão distantes estamos de alcançar a prática da Caridade em sua plenitude, mas que possamos ter a certeza que estamos no caminho. Que cada dia mais possamos estar atentos as oportunidades que Deus nos dá de sermos úteis, não só pros que carecem de coisas matérias, mas para os que carecem de atenção, de afeto, de carinho. O idoso que senta do nosso lado na condução, aquele familiar que temos quaisquer problemas, a prece para aqueles que estão em dificuldade, o bom dia ao Porteiro. Sim é Caridade!

Lembremos sempre das vezes que estivemos aflitos e o Mestre não nos abandonou, e nunca nos abandonará. Caridade, o caminho para o Cristo.

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