Aonde nossos Pensamentos nos têm Conduzido?

publicado em 12 junho de 2017 • Suely Sena Nascimento

Aonde nossos Pensamentos nos têm Conduzido?

 Suely Sena Nascimento

“O pensamento, dizíamos é criador. Não atua somente em volta de nós, influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal; atua principalmente em nós; gera nossas palavras, nossas ações e, com ele, construímos, dia a dia, o edifício grandioso ou miserável de nossa vida presente e futura.”

 (O Problema do Ser e do Destino – cap XXIV –

“A Disciplina do Pensamento e Reforma do Caráter”.)

            A linguagem universal dos espíritos é o pensamento. E nós, espíritas, a partir de nossos estudos, sabemos que mais do que linguagem, ele também é fonte geradora do que somos, fazemos e sentimos. Mas, como afirma Léon Denis, se o pensamento é criador, nos questionamos: “o que estou fazendo com o meu”? Estou trabalhando na construção de ideias e gerando ações saudáveis e principalmente de acordo com as Leis Divinas?

            Temos conhecimento, através da literatura espírita, que, se no plano espiritual, construímos casas, cidades, vestimentas, plasmando o que queremos, também nos ligamos a grupos de espíritos que possuem a mesma faixa de sintonia que a nossa; tudo pelo pensamento…

            Mas aqui na nossa vivência diária, enquanto encarnados, como estamos agindo? Já que tudo é reflexo do que pensamos, pois toda ação que realizamos gera consequências — influenciando nossos semelhantes para o bem ou para o mal. Não somos nós que chegamos a esta conclusão, mas o próprio Léon Denis, espírito de escol que vem alertar para a responsabilidade que temos. Não é só pai e mãe que são exemplos na educação de seus filhos (e que portanto necessitam exemplificar sempre com seus atos), todas as pessoas, independentemente de posição social ou outras especificações humanas, devem fazer isto a todo momento de suas vidas, no trabalho, na condução, no trânsito, no convívio com amigos, vizinhos e parentes. E como está sendo esta influência a partir do que executamos com nossos pensamentos? Pensar correto não é tarefa fácil, ter disciplina mental requer esforço, perseverança, determinação. É um trabalho diário de nossos sentimentos, pois são eles os condutores de nossas ideias. É aí que mora o perigo, pois com nossa imaturidade espiritual ainda pensamos e sentimos de forma egoísta e orgulhosa, mesmo que não admitamos a nós mesmos (por vaidade, é claro!).

            Comportamo-nos, muitas vezes, de forma invigilante, nos esquecendo das consequências de nossas ações, (que são reflexo do que pensamos) e agimos em completo automatismo. Por isso precisamos do estudo, do trabalho doutrinário, para que gradativamente nosso íntimo se povoe das vibrações positivas trazidas pela ação no Bem. Enquanto espíritas, temos ferramentas que nos fazem exercitar nossos bons sentimentos em detrimento daqueles que trazemos em nossa bagagem espiritual. Tudo o que construímos nesta reencarnação está diretamente ligado ao que conseguimos apreender com nossos esforços de domar más tendências e substituí-las por generosidade, bondade, benevolência, indulgência, perdão das ofensas. Se sabemos, contudo, tudo isto, uma vez mais podemos perguntar: como está a nossa prática? E na convivência com nossos irmãos de caminhada, como estamos lidando com cada um deles? Léon Denis também, neste mesmo capítulo XXIV —20º §, diz que “em todas as nossas relações sociais, em nossas relações com os nossos semelhantes, é preciso nos lembremos constantemente disto: Os homens são viajantes em marcha, ocupando pontos diversos na escala da evolução pela qual todos subimos. Isto nos remete a nossa igualdade de espíritos, pois estamos todos no mesmo barco, sem que sejamos melhor ou pior que o nosso irmão, mas com a responsabilidade de, com nosso esforço, influenciar de forma positiva, para o Bem, para o Belo. Estamos fazendo isto? Ou apenas nos preocupamos com nossos interesses? Léon Denis, então, continua dizendo que “por conseguinte, nada devemos exigir, nada devemos esperar deles, que não esteja em relação com seu grau de adiantamento.” Fazemos isto, ou queremos que o outro siga nossos passos e aja conforme nossas verdades?

            Nos esquecendo é claro de que o que pensamos e fazemos é que servirá de exemplo, que esta influência — querendo ou não — é a que temos diante de nossos irmãos, diante de nossa própria consciência e diante de Jesus, nossa maior referência de pensamento conduzido para o Bem.

            O fim, entretanto, não está aqui. Além de termos o cuidado com que pensamos e fazemos, temos que desenvolver a condição que Léon Denis também sinaliza, “a todos devemos tolerância, benevolência e até perdão; porque, se nos causam prejuízo, se escarnecem de nós e nos ofendem, é quase sempre pela falta de compreensão e de saber, resultantes de desenvolvimento insuficiente”.

            Portanto, irmãos, fiquemos alerta e tenhamos cada vez mais a consciência de que os nossos pensamentos não só influenciam mas também refletem, em nossas ações, a conduta compatível com estes ensinamentos.

            A incomensurável Misericórdia Divina, então, nos impulsiona a não estacionar, porque ainda não somos a pureza em pessoa. Temos, desta forma, em nosso Evangelho — nosso tratado de bem proceder — as orientações necessárias, quando, por exemplo, os espíritos nos falam da Indulgência (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap X, item 16) e recomendam — “meus amigos, sede indulgentes porque a indulgência seduz, acalma, corrige, enquanto que o rigor desanima, afasta e irrita. (José, espírito protetor, Bordeaux, 1863.)

            Irmãos de ideal, temos as ferramentas e orientações, portanto coloquemos as mãos na charrua e prossigamos para cima e para o Alto, como recomenda nosso amado Léon Denis.

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