Maledicência: por que ainda temos o hábito de falar mal dos outros?

publicado em 10 outubro de 2017 • Sônia Campos

Logo no início da palavra “maledicência”, está presente o “mal”. A própria morfologia nos alerta que o que se vai dizer está relacionado ao mal.

Desde tempos imemoriais, a maledicência e a intriga estiveram presentes no cotidiano dos espíritos imperfeitos que transitam pela Terra.

Na Idade Média, por exemplo, havia os trovadores que percorriam os castelos, recitando poesias para o deleite da nobreza. Podiam ser cantigas de amor ou cantigas de escárnio ou maldizer. Essas últimas criticavam costumes morais ou políticos, chegando a ser bastante vulgares.

Entretanto, todas as mensagens do Evangelho de Jesus podem ser resumidas em dois mandamentos: amar a Deus sobre todas as coisas e amar o próximo como a si mesmo. Todas as virtudes derivam desses dois mandamentos e os vícios ocorrem quando nos afastamos deles.

Pode parecer que amar significa algo muito grande, muito profundo, mas o amor pode se manifestar em pequenos gestos, em pequenas atitudes. Não viver criticando os outros já é um ato de amor. O Amor é tolerante, não é exigente.

Com mais frequência do que o desejável, quando duas ou mais pessoas estão batendo papo e o assunto é uma terceira pessoa que não está presente, raramente trocam ideias; é mais comum trocarem fofoca.

Por que isso acontece? Será que somos maus? Nem sempre. É porque adquirimos o vício de comentar a vida alheia e os comentários, em geral, são maldosos. Parece que é uma atração irresistível focar nos defeitos dos outros.

As reuniões sociais são, em geral, academias de maledicência. O que provoca a maledicência?  Angariar simpatia do outro, como se falar mal de uma 3ª pessoa fizesse com que as duas ficassem amigas. Não esqueça que se falam mal de alguém com você, também falarão mal de você com outros.

Pior que isso, são os acréscimos, por conta da imaginação doentia, nas interpretações malévolas que se faz.

Qual a razão última dessa mania de maledicência? Pode ser um sentimento de inferioridade unido a um desejo de superioridade.
Diminuir o valor dos outros nos dá a grata ilusão de aumentar o nosso próprio valor.
As pessoas, na  imensa maioria, não estão em condições de medir seu valor por si mesmas.Necessitam medir o seu próprio valor, desvalorizando os outros.

Precisamos examinar muito bem os nossos sentimentos, porque muitas vezes, o que provoca a crítica ao próximo não passa de despeito. Não é preciso apagar a luz do próximo para a nossa própria brilhar. Contemplando o céu, vemos que quando muitas estrelas brilham juntas, produzem um espetáculo muito mais bonito do que quando apenas uma está brilhando. Quem tem luz própria, não precisa apagar a luz dos outros.

É muito mais grave quando a simples fofoca se transforma em calúnia, injúria ou difamação. São crimes, que estão codificados no Código Penal e nem nos damos conta da gravidade que as nossas palavras podem ter.

Joanna de Angelis, em Reflexões sobre a Calúnia, no “Livro Liberta-te do Mal”, diz:

“Toda vez que o indivíduo se sente ameaçado em sua fortaleza de egoísmo pelos valores dignificantes do próximo é dominado pela inveja e investe furibundo atacando aquele que supõe ser seu adversário. ”

O caluniador gera dificuldades no trabalho, criando desentendimentos à sua volta, produzindo campanhas difamatórias A calúnia é a arma poderosa de que se utilizam esses enfermos do espírito e se vale da imperfeição daqueles que dão ouvidos ao caluniador e propagam a falsidade.

A calunia arruína 3 pessoas: a si próprio, o caluniado e o ouvinte. Portanto, faz dois culpados e uma vítima.

Leia o artigo na integra na Revista Celd – edição de outubro de 2017.

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