Os Animais e a Reencarnação

publicado em 10 novembro de 2017 • Julio Ferraz

 

Ernesto Bozzano, uma das maiores expressões do Espiritismo, publicou o livro “Os Animais têm Alma?” no qual relata cerca de 130 casos de manifestações metapsíquicas em animais. Gabriel Delanne e Herculano Pires, entre outros autores espíritas, também publicaram livros sobre o assunto, de onde se pode concluir que existe nos animais algo mais que o mero invólucro físico. Esse algo a mais já é sabido por aqueles que têm um animal de estimação. Independente mesmo de sua natureza, que pode ser doméstica como os cães, ou selvagem como os leões, todos têm espaço na vida e no coração de seus criadores.

No XI capítulo de O Livro dos Espíritos, Allan Kardec aprofunda o estudo sobre a divisão dos reinos mineral, vegetal e animal. De acordo com o codificador, tal divisão sob o ponto de vista moral não deve ser estabelecida em três níveis, mas em quatro. Os grupos,

então, ficam assim divididos: minerais, compostos de matéria sem vida; plantas, que são dotadas de vitalidade; animais, possuidores de força vital e inteligência instintiva limitada, que os torna conscientes de sua existência e de sua individualidade e o homem, que seria o responsável pelo quarto grau, uma vez que reúne características dos animais e das plantas. Sendo assim, o domínio que o homem tem diante de outras classes deve-se à sua inteligência que, segundo Kardec, “lhe dá a consciência do seu futuro, a perfeição das coisas extra materiais e o conhecimento de Deus”.

A partir desse conceito, Kardec discute pontualmente sobre a essência da alma dos animais. É o que diz a questão 598 — “A alma dos animais conserva depois da morte sua individualidade e a consciência de si mesma? Resp.: Sua individualidade, sim; não, porém, a consciência do seu eu. A vida inteligente permanece em estado latente”. De acordo com a definição dos grupos acima, proposta pela Doutrina Espírita, verifica-se que os animais, além de agirem por seus instintos, também se demonstram livres em determinadas ações. A liberdade de ação que possuem, ainda que limitada, evidencia a presença de um princípio inteligente, que sobrevive à morte do corpo e, como todo ser vivo, reencarna para atingir um novo estágio de evolução. Nesse sentido, a reencarnação é uma consequência da bênção de Deus aos seus filhos, ou seja, a todos os seres vivos — sem distinção — para que evoluam e atinjam a perfeição.

Esse princípio inteligente, contudo, não pode ser comparado à alma humana, pois, apesar de preservar sua individualidade após a morte, ela não conserva a consciência. Essa

é a principal distinção entre os seres humanos e os animais. Depois de desligar-se do corpo, a alma animal (princípio inteligente), tão logo que desencarna, é, pelos espíritos responsáveis por essa tarefa, classificada a reencarnar quase que imediatamente.

Esse princípio não possui livre-arbítrio para escolher em qual espécie quer reencarnar, mas segue uma lei progressiva de evolução, porém, involuntária e definida por forças divinas.

O processo se repete sucessivamente, e o espírito animal vai de estágio em estágio até se tornar próximo dos humanos, como podemos observar, por exemplo, no princípio primitivo que são os macacos. Diante da percepção da individualidade e da natureza anímica dos animais, podemos concluir que as vibrações do amor e do carinho são sentidas por eles tanto em vida quanto no momento da morte. Por isso, mais do que nunca, nos conscientizemos de que é importante cuidar bem dos animais, sejam de estimação ou não.

 

___________

Bibliografia

 

KARDEC, A. O Livro dos Espíritos. Rio de Janeiro: CELD, 2011.

BENEDET, Marcel. Os Animais conforme o Espiritismo. São Paulo: Editora Mundo Maior, 2012.

Deixe uma resposta