Pelos Caminhos da Prece

publicado em 31 agosto de 2017 • Vânia M. Silva

Por Vânia M. Silva

“Pedi e Obtereis”, assim dizendo, Jesus nos autoriza a ficar à vontade para abrir o coração e deixar fluir o que nos vai na alma, ao mesmo tempo em que nos sugere confiança e força: momento de encontro com o mais Alto em que a alma estabelece o canal adequado para assimilar-lhe a influência. E o quanto podemos obter nestes momentos de prece!

Através da Doutrina Espírita, sabemos que estamos todos imersos no Fluido Cósmico Universal, matéria elementar primitiva, veículo de transmissão do pensamento como o ar é do som. Por meio desta matéria elementar, podemos nos colocar em ligação com outros espíritos, onde estiverem, permitindo, ainda, conforme a energia de nossa vontade, estabelecer uma corrente fluídica que permitirá sintonias tão elevadas quanto salutares. Lembrando a vibração das ondulações concêntricas de uma pedra atirada na superfície de um lago, porém, se propagando ao Infinito.

Quem de nós, em momentos de dúvida ou aflições, já não experimentou uma calma e sustentação ou sentiu uma doce inspiração após momentos de conversa silenciosa com a potência Divina? É o concurso dos bons espíritos que nos chega, com a sua permissão, podendo afastar de nós os maus pensamentos que criamos e que nos embaraçam a marcha. Quando intercedemos pelos outros, o sentimento de benevolência e a energia da vontade, que impulsionam o pensamento em prece, encontrarão aquele que seja o objeto de nossa súplica e, caso esteja em angústia ou desalento, impressões de reconforto poderão auxiliá-lo, inspirar-lhe melhores resoluções e disposições. Se estes espíritos estão desencarnados, se sensibilizarão em saber que alguém por eles se interessa, experimentando esperança, confiança e paz. Quanto à prece que fazemos em conjunto, terá imenso valor, desde que haja, entre todos, um mesmo pensamento, sentimento e objetivo. E assim, nos diz Léon Denis,“como um feixe de vontades, a prece se dirigirá com mais poder ao seu alvo, podendo adquirir uma força capaz de sustentar, abalar as massas fluídicas” (Depois da Morte, cap LI).

Há quem diga que mais pedimos do que agradecemos em nossas orações. Mas, como verificamos anteriormente, estamos autorizados a pedir. É bem certo, pois, que aquilo que nos cabe vivenciar, estando de acordo com as Leis Divinas (sempre de amor e justiça), não será desviado de nós. Representa, muitas vezes, a condição necessária ao nosso progresso. Mas é preciso nos lembrarmos de tudo quanto diariamente recebemos em forma de boas inspirações, ou até mesmo como recursos materiais (o que para alguns é obra do acaso). Kardec diz que “O impulso espontâneo, que nos faz atribuir a Deus o que nos acontece de bom, testemunha um hábito de reconhecimento e de humildade que atrai para nós a simpatia dos bons espíritos” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXVIII, item 28). Em outros momentos, apenas admiramos, uma vez mais, a Inteligência Suprema, seja percebendo a importância do calor e brilho do Sol, a calma da noite com seu manto de estrelas, a chuva e o ciclo das águas seja reconhecendo a perfeição do funcionamento de nosso próprio corpo! Cada pensamento destes é uma prece de reconhecimento ao Criador.

Agostinho de Hipona (Santo Agostinho) nos diz: “Caminhai, caminhai pelos caminhos da prece, e escutareis as vozes dos anjos. Que harmonia! Não mais o ruído confuso nem os cantos estridentes da Terra; (…) Em que delícias havereis de caminhar! Vossas palavras não poderão definir essa ventura, que entrará por todos os poros, tão viva e refrescante é a fonte em que se bebe quando se está orando” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap XXVII, item 23).

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