Pureza da Caridade

publicado em 11 janeiro de 2017 • Juliana Quintella

Muito se ouve falar sobre caridade, quando nos propomos a estudar sobre a Doutrina Espírita. Mas será que conhecemos a real grandeza dessa palavra, e consequentemente, conseguimos entender a força que o significado dela nos traz?

Vejamos primeiramente a caridade do ponto de vista material. Em nosso dia-a-dia temos diversas oportunidades de fazer caridade. Alguém que passe por nós pedindo esmolas ou que bata à nossa porta em busca de alimento, por exemplo. Comumente tiramos algumas moedas do bolso ou um quilo de algo da despensa e damos àquela pessoa. E o questionamento é: Quantas vezes tomamos essas atitudes pela pura vontade de ajudar? Será que não estamos ajudando apenas para nos “livrarmos” de um problema, ou então na intenção de garantir um “lugarzinho no céu”?

Façamos agora mais uma reflexão sobre outro ponto interessante. Vivemos em uma era em que os bens e recursos materiais são muito valorizados e cada vez mais cedo. Desde a infância até a fase adulta, somos bombardeados com propagandas veiculadas na mídia sobre a importância de “ter”. E vamos sendo envolvidos nessa atmosfera ao longo de nossas vidas. Começa com o brinquedo novo, o videogame com os jogos mais modernos, as roupas de marcas famosas, os celulares de última geração, smartphones, tablets, carros… e assim vamos vivendo no meio dessa onda consumista e materialista que nos envolve. Pensemos juntos: É fácil para nós nos desapegarmos desses bens? É fácil doar aquilo que já não nos serve mais? Ou ainda o que nos serve, mas que guardamos por luxo ou exagero?

A caridade material, onde ajudamos o próximo no sustento e cuidado com o corpo físico é sempre muito importante, pois todos os seres da Terra precisam do mínimo necessário para sua sobrevivência. E essa caridade se torna mais importante ainda se for realizada com desprendimento e amor. O verdadeiro amor que Jesus nos ensinou.

Em O Evangelho Segundo o Espiritismo, no capítulo XIII, item 4, Kardec fala sobre a caridade, nos dando o exemplo de uma senhora que cuidava de pessoas infortunadas e que em determinado momento, quando percebe que a filha gostaria de seguir seus exemplos mas não possuía os recursos necessários, diz a ela: “Quando vamos visitar os doentes, tu me ajudas a tratar deles, ora, cuidar de alguém é dar alguma coisa”. Com essas palavras, podemos perceber que caridade não se trata somente de prover recursos materiais. Isso é apenas uma de suas faces. Podemos ser caridosos o tempo todo com o nosso próximo, seja doando o nosso tempo em um trabalho na Casa Espírita ou em alguma obra social, tenha ela vínculo religioso ou não.  Além disso, somos caridosos quando ouvimos o desabafo de um amigo, quando damos força para que alguém não desista de sua vida, ao cuidarmos de um doente, quando aconselhamos alguém voltado para o bem. Somos caridosos também quando agimos com paciência e tolerância mediante as falhas e as ofensas alheias.

Portanto, de acordo com Allan Kardec, para que possamos amar verdadeiramente a Deus, precisamos ser caridosos com o nosso próximo, e que “todos os deveres do homem se acham resumidos nestas palavras: Fora da caridade não há salvação.” (E.S.E. Cap. XV. Item 5.) Assim sendo, que possamos a partir de agora, por em prática essa caridade, ainda que não pareça muito, para começarmos a  desenvolver em nós o desapego e, consequentemente, sentirmos um pouco do amor que Jesus tanto nos ensinou.

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