Codificação e Doutrina

Por José Jorge

"Os fenômenos espíritas, inclusive a mediunidade, são tão antigos quanto a Humanidade. Todavia, a Doutrina Espírita só passou a existir após sua codificação por Allan Kardec."

Os fenômenos espíritas, inclusive a mediunidade, são tão antigos quanto a Humanidade. Todavia, a Doutrina Espírita só passou a existir ap6s sua codificação por Allan Kardec.

Antes, apenas existia o conhecimento dos fenômenos, mas, com a Codificação foi posto em destaque o objetivo dos fenômenos, que o despertamento para a importância do Mundo Espiritual, da imortalidade da alma e de todas as consequências filosófico-morais são decorrentes.

Assim, em nenhuma produção literária, anterior à Codificação, poderemos afirmar que haja, realmente, uma contribuição espírita. Os simples relatos de fenômenos, dos mais variados matizes, sem aproveitamento filosófico-moral, ou meras intuições, que a função dos bons escritores tão bem sabe aproveitar em seus livros, não podem ser averbados ainda como Doutrina Espírita.

Um conhecido escritor espírita - Conan Doyle - em sua "Historia do Espiritismo", afirma que é impossível fixar uma data para o início da Doutrina Espírita. Sugere, entretanto, que "uma data deve ser fixada e nenhuma melhor que a da história do grande vidente sueco Emmanuel Swedenborg."

Todavia, Allan Kardec, na Revista Espírita de novembro de 1859, declara que as obras de Swedenborg são "em geral muito volumosas e muito abstratas, quase que só são lidas pelos eruditos. Assim, a maior parte das pessoas que delas falam sentir-se-iam muito embaraçadas para dizer o que era ele. Sem dúvida, sua doutrina deixa muito a desejar." E. Swedenborg nasceu na Suécia, em 1688 e desencarnou em 1772.

De um modo geral, aceita-se como início da História do Espiritismo a data de 31 de março de 1848, com os fenômenos ostensivos de Hydesville, nos Estados Unidos.

Deolindo Amorim, em "Cadernos Doutrinários", de 1953, página 39, nos diz: "A História do Espiritismo comporta dois critérios: o que parte do fenômeno e o que parte da doutrina. Parece-nos mais lógico tomar como ponto de partida a organização da Doutrina, em 1857. É natural que a Historia do Espiritismo tenha como marco inicial justamente o ano de 1857, quando se publicou "O Livro dos Espíritos", de Allan Kardec. Antes da codificação de Allan Kardec não havia a palavra Espiritismo."

Todos os grandes escritores espíritas: Denis, Delanne, Flammarion, Bozzano, Lombroso, Aksakof, Geley, Zollner, Eugene Nus, Pezzani, De Rochas, W. Crookes e muitos outros ou são contemporâneos de Allan Kardec ou eles são posteriores.

Tentar descobrir Doutrina Espírita anterior a Kardec seria o mesmo que tentar encontrar agulha no palheiro, tão diluídas e fantasiosas. Estariam as ideias dos escritores e pensadores do passado. Seria dar muito trabalho a hermenêutica que, aliás, é tão elástica quanto as conveniências ou convicções de quem a utiliza.

Como não há Espiritismo sem Allan Kardec, portanto, antes dele, vejamos, pelo menos, o hercúleo e valioso trabalho do Mestre de Lyon, na elaboração da Doutrina Espírita.

Desde o momento em que logrou entrever nos divertidos fenômenos das mesas girantes algo de mais sério, pois efeitos inteligentes só podem provir de uma causa inteligente, Allan Kardec se entregou a fundo em suas investigações, durante quase 15 anos, num labor ininterrupto, chegando a uma monumental conclusão de que o Espiritismo era uma grande Mensagem para a Humanidade.

De maio de 1854 até 1869, não descansou um instante. Produziu obra após obra, cada qual tão importante quanto a precedente.

Refazia, refundia, ampliava, aperfeiçoava, a fim de que a grande Mensagem pudesse despertar maior número de pessoas, orientando, consolando, esclarecendo, para libertar espiritualmente.

Para que se tenha uma pálida ideia da integral dedicação de Kardec à Causa Espírita, vejamos sua grandiosa produção:

A 1ª edição de "O Livro dos Espíritos" é de 18 de abril de 1857, mas sua edição defini¬tiva é de 18 de março de 1860, graças à capa¬cidade de Allan Kardec, que refundiu, junta¬mente com os Espíritos, todo o livro:

- de 501 questões passou a 1193, isto é, 999 principais e 184 complementares;

- a Introdução, que era um todo, Allan Kardec dividiu, numa forma mais didática, em XVII capítulos;

- as Notas, que ficavam no final do livro, passaram a acompanhar cada resposta;

- Allan Kardec acrescentou uma notável conclusão, com IX capítulos.

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