Você realmente acredita na reencarnação?

publicado em 31 julho de 2017 • Fernanda Xavier

           Por Fernanda Xavier

            Essa pergunta pode parecer estranha. Até inoportuna, uma vez que desde os primeiros estudos e reuniões doutrinárias essa realidade nos é apresentada de maneira muito lúcida. Então, para a grande maioria de leitores que acabaram de encarar essa pergunta, a resposta imediata, provavelmente, foi “sim”. Desde os que estudam a Doutrina Espírita há muito tempo, os que a estudam há pouco, até os recém-chegados. Então, por que esse questionamento?

Porque, muitas vezes, vivemos sem nos lembrar disso, sem pôr em prática. Quando interpelados, não temos dúvidas quanto à resposta. Mas nos simples atos e escolhas do dia a dia, damos preferência à satisfação dos desejos mais imediatos e materiais. Entregamo-nos às “pequenas” vicissitudes, como se essas também não fossem refletir-se em nosso futuro. Algumas vezes, esses atos geram aflições para a mesma encarnação (tema também abordado em O Evangelho Segundo o Espiritismo — capítulo V).

“Nossa vontade atuante é uma causa geradora de efeitos mais ou menos longínquos, bons ou maus que recaem sobre nós e formam a trama de nossos destinos.”

Durante a sucessão das encarnações, vamos desenvolvendo nossas aptidões intelectuais e morais — ou nosso “eu psíquico”, como se refere Léon Denis. Por isso, ao sermos perguntados se realmente acreditamos na reencarnação, é para que reflitamos se pensamo se agimos tendo como referência essa realidade.

Quando permitimos que se abriguem em nós os maus pensamentos, o ódio, o rancor; quando entregamo-nos aos excessos, tidos como normais, por nossa sociedade atual, como a gula, a ingestão de bebidas alcoólicas, o fumo, o sedentarismo, ou seja, quando nos permitimos essas infrações tidas como “menores”, devemos estar cientes de que elas, com suas respectivas consequências, refletirão no nosso futuro mais imediato, no futuro mais distante e, principalmente,em nosso corpo espiritual. Nossa vontade e ação, repetidas, vão moldando o perispírito tornando-o um organismo mais sutil ou rude. E traçando nosso destino rumo às alegrias sublimes ou aos sofrimentos.

Não nos esqueçamos de que tudo no Universo é ação e reação, segundo essa maravilhosa Lei de Deus, que permite que tenhamos nossas vidas como um produto exato do que desenvolvemos no passado. E todo excesso causa um desequilíbrio. E o equilíbrio será, necessariamente recuperado; e o mal, reparado.

Ao encarnarmos na Terra, temos uma incrível responsabilidade: cumprir nosso plano e não adquirir novos débitos. Para tal missão, somos dotados por Deus de um maravilhoso instrumento: nosso corpo. Negligenciando os cuidados que devem ser destinados a esse corpo, estamos prejudicando nossa evolução,pois, se adquirimos alguma doença devido aos maus hábitos, essa doença dificultará o trabalho útil. Essa nossa atitude pode ser comparada à do estudante que, ao início do ano, toma o livro de empréstimo em perfeito estado, e, ao final do período, devolve-o em frangalhos e reclama que não pôde estudar devido ao péssimo estado do livro.

Sabemos que os maus hábitos deságuam nas próximas encarnações, resultando muitas vezes em corpos privados de vigor e saúde, a fim de que não abusemos das forças vitais que tivemos outrora. Assim, é fundamental, em cada ato, em cada pensamento e em cada alvo de nossa vontade, lembrarmo-nos da realidade espiritual. Lembrarmo-nos que somente teremos felicidade com o equilíbrio. Se, realmente,entendemos que a verdadeira vida não é a do corpo,mas a do espírito, se compreendemos que estamos na Terra apenas de passagem, concluímos que precisamos repensar o quanto devemos diminuir a importânciada satisfação material em favor da satisfação e resolução das questões do espírito e de nossa educação espiritual. Todo excesso, todo abuso terá repercussão em nosso futuro, porque somos os arquitetos de nossos destinos.

Então, que tal começarmos a construir nossa felicidade tendo cada decisão pautada na satisfação do espírito, e não do corpo?!

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